Nanotecnologia permite a concepção do transistor molecular

Dec 29th, 2009 | por | Categoria: Notícias

Com um transistor tão pequeno, computadores inteiros podem ter um tamanho incrívelmente reduzido, podendo ser menor do que a espessura de um fio de cabelo. Os impactos podem ser enormes em inúmeros aspectos de nossa convivência com dispositivos tecnológicos

tm_figura2.jpg A Lei de Moore, constantemente é desafiada, sendo que sempre temos a impressão que estamos perto de testemunhar sua queda, no entanto, cientistas no mundo todo trabalham para que este dia demore muito a chegar.

Tão conhecida no mundo da eletrônica, a Lei de Moore foi profetizada por Gordon E. Moore, então presidente da Intel nos anos 60, mais precisamente 1965.

Todo processador é baseado em nanométricos transistores, reunindo uma populalação de milhões deles, para se obter uma moderna CPU multi-core dos dias atuais. ou mesmo qualquer CI utilizado em computadores, celulares, tocadores de mídia e assim por diante.

Segundo o conceito estabelecido por Moore, a cada 18 meses, o número de transistores dentro dos CIs deve dobrar, sendo que esta regra permanece verdadeira desde então.

Um maior número de transistores, resulta num processador com maior capacidade de processamento e eventualmente, um consumo de energia mais eficiente, entre outros benefícios. Passados mais de 40 anos, a Lei de Moore segue firme e incontestável.

Uma notícia vinda de pesquisadores americanos e sul Coreanos, Universidade de Yale e do Instituto de Ciência e Tecnologia de Gwangju respectivamente, pode levar a uma verdadeira revolução. Das referidas universidades, o desenvolvimento de semicondutores sob nanofios, permite que tenhamos um transistor, baseado em uma única molécula.

Mark Redd, incluindo outros pesquisadores de Yale foram capazes de demonstrar, que uma única molécula de benzeno, ligada a contatos de ouro, se comporte como um transistor de silício tradicional.

Os estados de energia das moléculas são capazes de serem manipulados, em função da tensão aplicada aos contatos e com isso é possível controlar, a corrente que passa pela molécula.

“É como uma bola subindo uma colina, rolando: a bola representa a corrente elétrica e a altura do morro representa os estados de energia da molécula. Fomos capazes de ajustar a altura da colina, permitindo que a corrente elétrica flua, quando a altura é baixa, interrompendo quando a colina for elevada. “, exemplificou Reed.

A nova descoberta foi possível através da construção de pesquisas que Reed realizou na década de 1990, mostrando que moléculas individuais podem ser “fixadas” entre contatos elétricos.

 

Muito Pequeno

Enquanto a Intel anuncia CPUs com a tecnologia de 32nm, bem como, a sua próxima geração de 22nm, o transistor molecular desenvolvido pelos pesquisadores terá uma dimensão da ordem de 146pm, ou seja, 146 picometros.

Para se ter uma idéia destas dimensões, o picômetro é mil vezes menor que o nanômetro utilizado pela Intel. Um transistor de uma CPU moderna é cerca de 4560 maior que uma molécula de benzeno.

 

O “computador molecular” vai ter de esperar mais um pouco

O uso de moléculas como transistores é muito atraente, uma vez que até o momento não haviam processos que permitissem dispositivos eletrônicos em escala tão diminuta.

Os pesquisadores já alertam, no entanto, que computadores projetados com o transistor molecular estão a décadas de distância.

“Nós não estamos prestes a criar a próxima geração de circuitos integrados. Mas, depois de muitos anos de trabalho preparando para isso, temos cumprido uma longa década, tendo como resultado demonstrar que as moléculas podem atuar como transistores.”, alertou Reed.

 

Um longo, mas sólido futuro pela frente

O ramo da nanotecnologia é apontado como um dos prováveis ícones do século 21. Eric Drexler, engenheiro, cientista e quando na década de 80 popularizou o termo nanotecnologia, já profetizava que computadores inteiros, menores que uma simples célula poderiam ser construidos.

Parece que os pesquisadores americanos e sul coreanos estão provando, que a profética Lei de Moore será perpetuada por muitas e muitas décadas. Mais do que isso, a tecnologia pode estar prestes a mudar nossas vidas de uma forma tão radical quanto o que aconteceu com a descoberta do fogo, ou mesmo da eletricidade para nossos antepassados. Fantástico.

 

 

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